O Estranho e o Cavaleiro: pecados pagos com brilhantismo Ayrton Baptista Jr.
29.03.2008
A morte é muito bem aceita no monólogo O Estranho e o Cavaleiro. Recebê-la aproxima do perdão divino, ressalta o texto do belga Michel de Ghelderode. Reginaldo Secundo, ator da companhia capixaba Taruíras Mutantes, paga os pecados com sobras, através de um ótimo preparo vocal e corporal, assinalando com brilho ânimos e desânimos do personagem.
Ao lado da cama desarrumada, sob luz de penumbra, um idoso alterna roucos desabafos e solenes acusações, remoendo lembranças amargas, como a de um amor que não se permitiu à loucura. Neste quarto, ele aguarda ansiosamente uma visita e convida os colegas de asilo para a recepção. Dizem que o melhor da festa é esperar por ela. Sendo assim, sobra entusiasmo no olhar esperançoso através da janela (belo efeito: luz vermelha numa aparente roda de carroça), no ato de vestir a túnica e a coroa e na messiânica pregação da morte como caminho para vida.
Além dos recursos habituais (iluminação, objetos, figurinos), a dupla de encenadores Federico Nicolai e Luiz Tadeu Teixeira apresenta um filme do cavaleiro a caminho. Outro acerto vem novamente da fala de Secundo, que acentua com precisão um legado filosófico de Ghelderode: “Te assustas o que não és capaz de compreender”.
O Estranho e o Cavaleiro
Tragicomédia – Vitória – ES
Casa de Teatro Edson D´Avila
Dias: 27 às 21h, 28 e 29 de março às 18h
Ingressos: R$ 10,00 e 5,00
Taruíras Mutantes – Texto: Michel de Ghelderode
Adaptação: Federico Nicolai
Direção: Federico Nicolai e Luiz Tadeu Teixeira Elenco: Reginaldo Secundo Duração: 50´
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